Otherlife: quando a ficção é muito mais que real*


Parei, domingo passado, pra ver um filminho na tv. Na vida de advogada, empresária e mãe de duas pequenas, isso (parar e ver um filme inteiro) é um verdadeiro luxo.


No catálogo da @netflix me chamou a atenção o filme "Otherlife". OK, lá fui eu. E adorei!

Não vou fazer aqui a resenha do filme. Seria entediante. Mas quero escrever as minhas impressões que, sim, são muito influenciadas pelas minhas percepções como profissional que se dedica a educação para um comportamento digital mais consciente e seguro.


O filme traz uma narrativa interessante sobre a ética nos desenvolvimentos tecnológicos e a ampla possibilidade de experiências que as tecnologias podem oferecer. Mas não foram essas as únicas questões que me chamaram a atenção.


Alguns pontos mais ligados ao comportamento, diante da tecnologia proposta no enredo do filme, me intrigaram. Porém, como não quero mandar spoiler (e fazer inimigos), vou elencar alguns dos pontos que mais me chamaram a atenção:


1 - Nem sempre a intenção do desenvolvedor da tecnologia é oferecer uma solução para o usuário final: como escolher, com ética, entre a sobrevivência da startup e que a solução faça real sentido para o usuário?


2 - As suas necessidade pessoais são combustível para o teu negócio?: é comum negócios falirem porque a "leitura de mercado" num plano de negócios se restringiu a percepções e experiências pessoais.


3 - Tecnologias são instrumentos ou ferramentas, não são começo-meio-fim: depender exclusivamente das tecnologias para a vida pode ser arriscado demais. Tenha sempre um Plano B ou viva na dúvida entre ser vítima de um asteróide que detone nossos satélites ou um ransomware trazido pelo colaborador curioso que tua empresa insistiu em não treinar.


4 - Se há uma questão da sua humanidade ou uma dor para ser solucionada, solucione-a e siga em frente: por mais que se escolha a experiência digital para fugir da dor real, do paupável, ela (a dor) estará ali, te esperando voltar da sua experiência virtual para ser solucionada.


5 - A virtualidade sem consciência nos desconecta de nós mesmos: quando viver submerso nas virtualidade nos desconecta de nós mesmos, permitimos que a máquina reine sobre nós. Nesse ponto, perdemos a nossa autonomia como gente e abrimos mão da nossa essência. Seria a mesma coisa que entregar nossas vidas para outras pessoas cuidarem. Não é estranho?


Quanta verdade existe entre o que você propõe e o que você realmente acredita?

E, se você é empreendedor, fica uma pergunta: você seria o maior usuário do que você oferece para o mercado ou o único?


Ah, e se você já assistiu o "Otherlife" não esqueça de me contar, aqui nos comentários, o que você achou do filme.


Um abraço!


*este artigo foi publicado originalmente no LinkedIn

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