Por que poucos haviam notado uma Baleia tão grande na internet?


Doutora, a senhora já ouviu sobre dessa tal da Baleia Azul? Respondi algumas diversas vezes que sim à pergunta acima nas últimas semanas. E tomei o cuidado sempre de dizer que a Baleia já estava ali há muito tempo, assim como outros desafios propostos na internet.


Claro que, muitos, na sequência se questionaram sobre como eles não sabiam disso?


Aqui vai uma explicação que começo com uma afirmação: a internet É o que quisermos que ela seja para nós! Ponto. Ela não é boa ou má! Ela nos leva para onde queremos ser levados (ainda que não saibamos). E aí é que mora o “X” da questão.


A internet nos proporciona uma imensidão de dados, contatos, experiências, aprendizados e, da mesma forma, oferece a oportunidade incrível de, com uma simples teclada, atingirmos milhares de pessoas com as nossas atitudes ou pensamentos. Assim, exatamente como estamos fazendo eu e você agora. Talvez nunca nos vejamos presencialmente mas, sim, estamos tendo um contato.


Com certeza, algo te atraiu para este artigo. Da mesma forma, pessoas muito inocentes acabam sendo atraídas por apelos maliciosos, dentro da internet, promovidos por usuários com intenções maldosas ou criminosas. É só se mostrar atraente e travar uma comunicação que promova a confiança e, bingo! Estão, de verdade, conectados.


E não estou falando só de conteúdos para crianças e adolescentes. São milhões de golpes aplicados diariamente através da internet, em todo o mundo e a cada minuto. Empresas de todos os portes, escolas, famílias, órgãos governamentais, têm a segurança e bem estar destruídos pela invasão de um vírus ou malwares, como aconteceu no último dia 12. Ou mesmo, ainda, acumulam perdas pela disseminação de informações maldosas ou mentirosas, por fofocas, discursos de ódio, exposição vexatória da imagem, e tantos outros meios de destruição através do comportamento online.


E o que a Baleia Azul tem a ver com isso? A questão é que jogo da Baleia Azul nunca existiu. Pelo menos, não institucionalmente falando. Não fazia parte de um projeto mundial ou uma conspiração internacional. Mas o desafio já estava se propagando na www e na deepweb há meses. De repente, a Baleia submergiu, ou seja, se tornou popular e “viralizou”. Tomou as manchetes dos jornais, abriu espaço para muita gente maldosa, virou motivo de audiências públicas em casas legislativas, se fez presente nos papos de botequim assim como nas mesas de almoço de domingo.


Se ela não existiu como pensamos, então, o que ela é (ou seria, pelo menos)? Só mais um desafio com um nível de risco enorme, dentre os vários aceitos por adolescentes e crianças todos os dias. Pessoas se apropriaram de uma dica deixada na internet, pessoas que talvez nunca tenham se visto, virtualmente ou fisicamente, gostaram da ideia de atrair crianças e adolescentes para um assunto sobre o qual os pequenos não conversam com seus pais. Uma vez atraídas, e conectadas a essas pessoas ou grupos, usar o tal desafio como forma de "causar dano" sob a aparência de diversão, e tirar proveito da ingenuidade alheia, ficou fácil para predadores online.


Eu proponho a você, leitor, um exercício: pergunte a crianças e adolescentes “o que são os desafios na internet” (seja criativo na abordagem, do contrário não terá muito êxito). Certamente você se surpreenderá com as resposta.


Uma vez que um desafio seja aceito, tornou-se “regra” dentro da internet que “ele tem que ser cumprido”, do contrário o internauta que não cumprir “terá problemas” (entenda-se problemas desde os fantasiosos até questões com impacto real).


E por que aceitariam um desafio que coloque as suas vidas em risco? Porque, pasme, a grande maioria realmente cai no golpe da ameaça. Pois é, inocente assim. E eu ouço de alunos, nos encontros e palestras, que eles acham que, se não cumprirem o desafio, podem ter problemas com a justiça!


Para finalizar, o que desejo enfatizar são 5 pontos básicos de segurança na navegação para quem não tem tanta familiaridade com o universo digital. Eles são muito básicos, mas por vezes esquecidos:


1 - oriente crianças e adolescentes a aceitarem amizades de quem eles conheçam fisicamente ou de quem você, responsável por eles, possa atestar a identidade. Lembre-se: na internet, lobo também usa pele de cordeiro;


2 – você, adulto, é responsável por monitorar a navegação dos filhos, ou menores sob sua responsabilidade, na internet. Caso os menores de idade tomem atitudes consideradas danosas ou criminosas (delituosas seria a palavra apropriada), o adulto poderá ser responsabilizado criminalmente ou civilmente (mais especificamente “no bolso”). Você tem o dever, tanto legal quanto social, de acompanhar os menores nas “ruas digitais”;


3 - não clique em links estranhos, desconexos, com proposta de prêmios incríveis ou conteúdos pornográficos. Seja no computador, no tablet ou no smartphone (mesmo pelo WhatsApp). Da mesma forma, saiba que as correntes que dizem: “não compartilhe. copie e cole no seu mural”, são formas de transmissão de vírus;


4 – não curta ou compartilhe conteúdos abusivos, que denigram a imagem das pessoas (principalmente nus ou seminus infantis, mesmo que entre menores de idade) ou qualquer forma de exposição vexatória. Ainda que o post originalmente não seja seu, você poderá ter problemas na sua reputação digital e com a justiça, já que “clicar” é uma atitude como qualquer outra e com consequências reais;


5 – mantenha sempre atualizado, e em qualquer aparelho com acesso a internet, antivírus confiáveis. Eles são bons aliados para avisar se um conteúdo recebido está infectado ou não.


Se tudo isso parece muita “viagem”, deixo a dica de um filme que fala muito bem dessa realidade e da forma de ver o mundo, dentro do contexto digital. Assista NERVE, e depois me conte o que achou!


E, a minha dica final é: navegue! Conecte! Com segurança, com consciência e respeito, a internet é um espaço muito rico, produtivo e inspirador.

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